
Sou todo pela poesia. A sério, acho bem. Um gajo chega a casa, ensopado e fodido com a vida, muda de roupa, pensa na gaja que o mandou para o caralho, no dinheiro que gastou em gin manhoso e superbock, na incrível estupidez que é a vida, porque estamos aqui, quem somos, para onde vamos, mãe, porque cheira o meu cocó tão mal, senta-se e escreve um poema. Ou fica em pé e escreve um poema. Ou levanta-se e escreve um poema, pois estava sentado. Nunca ouviu falar na questão da precedência na cesura do alexandrino, blá, blá, blá, não sabe quem é a Ana Paula Inácio, e nunca votou nas legislativas (só nas presidenciais e foi no Alegre). Manda um cagalhoto sobre a puta que adora, ai que quero cortar os pulsos, escreve sobre geometrias azuis e caminhos que se desfazem, é desta que me atiro, ai tanto pathos, etc. Sou todo pela poesia. A sério, acho bem. Há gajos que escrevem coisas maravilhosas e nunca leram fiama. Há gajos que não mandam uma para a caixa e leram tudo o que havia para ler. Há gajos que se arrependem de ter tentado, mas que continuam a tentar. Estes não merecem perdão, são os únicos que sabem o que fazem.
(Franko B)
14.12.08
contributo para uma estética do caralho mais velho